quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Apuração do carnaval de SP será fechada ao público em 2013, diz Liga

A apuração do carnaval de São Paulo em 2013 ocorrerá novamente no Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, porém será fechada ao público. A medida ocorre um ano depois da confusão que marcou a folia paulistana em 2012. Essa e outras mudanças foram anunciadas na tarde desta quarta-feira (16) por Paulo Sérgio Ferreira (foto), presidente da Liga das Escolas de Samba de São Paulo.

Cada escola poderá levar apenas 10 representantes para a apuração, que deverão ser previamente cadastrados e indicados pelas agremiações até 29 de janeiro. Os integrantes que fizerem parte da apuração usarão pulseiras numeradas, com marcas d'água e outros dispositivos de segurança, que permitirão a identificação da escola e do integrante.

No Anhembi, a segurança também será reforçada. “Teremos um sistema especial de segurança e, desta vez, estamos falando de um público de cerca de 300 pessoas, muito menor do que em anos anteriores”, afirmou Paulo Ferreira.

Para evitar a perda das notas em caso de incidentes como o de 2012, outra medida será a existência de uma cópia das notas dadas pelos jurados. “As cédulas das notas serão carbonadas. Uma cópia seguirá para o envelope como todos os anos, que estará no Anhembi, e a outra ficará fechada em batalhão da Polícia Militar”, disse.

Depois do episódio no ano passado e das reclamações sobre algumas notas dadas pelos jurados, a liga também decidiu propor alterações no regulamento do carnaval de 2013. A grande mudança aparece já no número de julgadores dos desfiles deste ano, que passarão de 36 para 54 – sendo nove suplentes, um para cada quesito.

Do total de jurados em 2013, apenas 13 já participaram de julgamentos em anos anteriores. Os suplentes ainda serão sorteados e todos estão sendo treinados. “Eu digo a eles que não podem ter gosto. Eles precisam ter parâmetros. Traçar as penalidades pequenas, médias, graves e gravíssimas”, afirmou o presidente.

O episódio de 2012 trouxe outras mudanças ao regulamento. Agora, o artigo 22 teve inseridos os termos “invadir o local de apuração” e “subtrair documentos” como condições para a perda imediata de três pontos. “Um caso como o que ocorreu no ano passado não será mais avaliado pela comissão de ética. Haverá perda de três pontos, automaticamente, no concurso para a escola que cometer a infração”, explicou o presidente, que promete “um belo carnaval em troco do ocorrido”.

Mudanças no julgamento

Ainda como uma forma de garantir o direito de defesa e de avaliação das notas dadas pelos jurados, a liga irá intensificar uma ideia que já aplica há alguns anos: a instalação de câmeras que gravem, do ponto de vista do julgador, a íntegra de todos os desfiles.

Foram usadas, em 2012, dez câmeras. Neste ano, serão 25. Cerca de uma semana após os desfiles, as imagens são disponibilizadas em CDs para todas as escolas e ajudam na avaliação do trabalho dos jurados pela própria liga.

Foram com bases de análises de imagens dessas câmeras que, após seis meses de estudos, chegaram ao “melhor jurado” de cada quesito, na visão e nas palavras de Ferreira. “Esses escolhidos foram chamados para reunir o seu time de jurados para o seu quesito e hoje são chamados coordenadores de jurados. São eles os responsáveis pelo preparo e treinamento de quem irá avaliar o carnaval”, disse o presidente.

Outra mudança prevista para esse ano são os chamados fiscais de desfile, que serão 12 pessoas sem vínculos com as escolas responsáveis por avaliar o cumprimento do regulamento. Eles deverão servir como orientadores das escolas na concentração e, durante os desfiles, serão os responsáveis por descrever possíveis falhas e entregar as atas com as penalidades das escolas que estão avaliando.

Até 2012, cada escola tinha um coordenador responsável por essa função, mas o critério vinha sendo questionado. “O tempo foi passando e muitos desses coordenadores foram se tornando amigos. Percebemos que alguns atos de penalidade não estavam sendo registrados, e aí optamos por essa mudança”, disse.

Os nove quesitos observados no carnaval serão julgados, cada um, por cinco jurados. A maior e a menor notas são descartadas. O quesito que será usado em caso de empate deverá ser sorteado, segundo Ferreira, na próxima segunda-feira (21).

Nova visão

Cinco quesitos sofreram alguma alteração no Manual do Julgador, documento que deve ser observado pelos jurados para o estabelecimento de seus critérios. Na comissão de frente, as fantasias, e não apenas as coreografias, serão avaliadas pelos jurados deste quesito específico. Antes, isso era observado pelos jurados do quesito fantasias.

Também há mudanças no quesito mestre-sala e porta-bandeira. O primeiro casal, ou aquele que carrega o pavilhão, terá sua fantasia analisada pelos jurados de mestre-sala e porta-bandeira. As notas também deverão considerar apenas o que é visto no campo de visão da cabine de cada jurado.

Na bateria, novos instrumentos que forem acrescentados pela escola também serão levados em conta na nota da escola, que terá os ritmistas avaliados de forma geral. “Cada entrada e cada instrumento serão avaliados conforme seu tom e seu volume”, explicou Ferreira.

Para os jurados de harmonia, a observação é que a escola deve ser avaliada apenas depois de entrar na faixa amarela, e antes de sair. Essa ressalva, segundo o presidente da liga, não estava clara no manual anterior. Os avaliadores de samba-enredo também encontrarão no manual deste ano uma observação que deixa clara a permissão da bateria para ser colocada em qualquer ponto do desfile. “Exaltou-se que a bateria é um coringa e pode entrar em qualquer lugar da escola.”

Neste ano, ainda de acordo com anúncio feito pelo presidente da liga, duas escolas do Grupo Especial caem ao Grupo de Acesso e duas do Acesso sobem para o Grupo Especial. Já entre as escolas do Acesso e do Grupo 1, uma subirá e outra cairá.

Histórico

No dia 21 de fevereiro de 2012, um tumulto interrompeu a apuração do carnaval de São Paulo. Houve quebra-quebra, carros alegóricos foram incendiados e pelo menos cinco pessoas acabaram detidas. Com camisa da escola Império de Casa Verde, o empresário Tiago Faria invadiu o local onde eram lidas as notas, no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo,e rasgou os envelopes durante a divulgação dos pontos do último quesito. Outros carnavalescos também invadiram o local.

Durante a confusão, um dos carros alegóricos da Pérola Negra foi incendiado por torcedores da Gaviões da Fiel. No dia 25 de fevereiro, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo anunciou que multaria seis escolas de samba pelo tumulto ocorrido durante a apuração.

A pior punição foi para a Império de Casa Verde. Além de ser multada em 70 salários mínimos – um total de R$ 43.540 -, ela teve seus direitos políticos na agremiação suspensos por seis meses, sendo impedida de participar em qualquer atividade da Liga, não tendo, portanto, poder de voto.

A escola também teve de publicar uma nota de retratação em um jornal de grande circulação, “com o objetivo de se desculpar publicamente pelas atitudes cometidas no Concurso de Carnaval 2012”, de acordo com comunicado da Liga divulgado na época. A Gaviões da Fiel, por sua vez, além de pagar uma multa à Liga, também teve de indenizar a Pérola Negra, que teve o carro alegórico incendiado.

Em abril, a Prefeitura de São Paulo também anunciou a punição para as 22 escolas de samba por causa do ocorrido na apuração. A escola mais atingida também foi a Casa Verde. Segundo o ex-prefeito Gilberto Kassab, isso aconteceu porque o tumulto foi iniciado por um integrante da escola.

Além de ser multada pelo executivo municipal, a Casa Verde deixaria de receber as verbas repassadas pela Prefeitura para o carnaval 2013. Em 2012, a Império recebeu R$ 677.475,56 da administração municipal.

Fonte: g1.globo.com/carnaval/2013

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