sexta-feira, 30 de março de 2012

Chico Rei do Riso

Esta semana o Brasil ficou mais triste. Chico Anysio (foto), o Rei do riso nos deixou aos 80 anos.

O humor inteligente, contestador e algumas vezes escrachado do Chico é algo que certamente não veremos mais em nossos palcos. Fica a saudade e a homenagem que em vida o Rei do Riso recebeu da Caprichosos de Pilares no Carnaval de 1984.

Vamos recordar:

G.R.E.S. CAPRICHOSOS DE PILARES
CARNAVAL 1984
ENREDO: "A VISITA DA NOBREZA DO RISO À CHICO REI NUM PALCO NEM SEMPRE ILUMINADO"

Sorria, meu povo
Sorria, "Chico Rei" chegou

Nesse palco todo iluminado
Que um dia por pecado
Se apagou
Ô ô ô ô ô ô

E Popó mandou cair na folia
A festa é nossa no reinado da alegria
É cascata, o pacotão
No combate, como bate o coração
Na agonia, com a corda no pescoço
A piada rói o osso
E alegra o meu povão

Salomé, Salomé
Bate um fio pro João
Que dureza não dá pé

Tantas loucuras
Dos ministros, "Os trapalhões"
Brasil, "Brazil", brazuca
É Alice num país de ilusões
Meu sorriso brasileiro
Tempeiro nacional
Do Azambuja trambiqueiro
Do Turuna dando bronca federal
Palmas pro Velho Guerreiro
Que o ano inteiro faz seu Carnaval

Pai, Painho
No Abaitolá
Dando axé
Até o dia clarear

E feliz é o pintor...

Uma imagem vale mais que mil palavras, não é mesmo?!

Olha a carinha do maluco tentando se esconder lá atrás...rs

Análises Carnaval 2012

Chegou ao fim a primeira parte das análises do Carnaval de 2012.

Os desfiles de São Paulo foram grandiosos e coroaram a Mocidade Alegre em sua homenagem ao escritor Jorge Amado como a grande campeã.

Mas a "festa" não para por aí, não!

À partir de segunda-feira (01/04) é o Carnaval do Rio de Janeiro que ganha as páginas do blog.

Agradeço a interação dos amigos via e-mail, twitter, comentários nas páginas do blog e das demais redes sociais. Quero dizer que este espaço é para vocês que assim como eu amam o Carnaval brasileiro.

Continuem sempre interagindo!!!

"Vai clarear, chegou a emoção..."

O momento de maior emoção do Carnaval de 2012 sem dúvida alguma.

Quem assim como eu teve o prazer de conhecer essa pessoa maravilhosa que foi o Marko Antônio da Silva, sabe que o desfile da Tom Maior foi abençoado pelo grande Markinho.


Quando recebemos a triste notícia de que haviamos perdido o eterno presidente da Vermelho e Amarelo, mal poderiamos imaginar que ele havia deixado um enredo pronto para o ocasião.


"Paz na Terra e aos Homens de Boa Vontade" era um clamor pela paz entre os homens. Pregava a igualdade e a fraternidade entre os seres humanos, o clamor à preservação da natureza e ao amor entre os povos.


Desenvolvido pelo meu parceiro Marco Aurélio Ruffin, o enredo ganhou um ar de celestial e desde a comissão de frente a Escola parecia conduzida pelas mãos do Markinho.


O carro abre-alas não era grande como das demais agremiações do Grupo Especial, mas era tocante. Os arcanjos empunhando espadas protegendo o brasão da Escola circundado por pombas brancas eram sublimes. A grande sacada do Ruffin foi exatamente o tamanho das alegorias. A Tom Maior teve problemas para receber a subvenção municipal e teve de tocar grande parte de seu carnaval sem dinheiro e nessa hora uma alegoria compacta faz toda a diferença. Por isso o carnavalesco tem de saber a hora certa de diminuir ou aumentar seus carros alegóricos.


E não parou por aí, o carro da natureza e do caracól foram outros exemplos de que o gigantismo nem sempre é essêncial em um desfile de Escolas de Samba. O único porém fica por conta da iluminação escolhida pelo carnavalesco para o carro do caracól (Cidadânia), que passou desapercebida a luz do dia. O neón com a luz natural desaparece e isso prejudicou o acabamento desse carro que ficou de certa forma exposto. A última alegoria que sintetizava o enredo veio pra emocionar de vez com duas imagens enormes do Markinho bem à frente do carro. Meus olhos marejaram...


As fantasias seguiram o padrão de qualidade Marco Aurélio Ruffin e estavam lindíssimas. Apagou completamente a má impressão deixada nos dois últimos desfiles assinados por ele na Império de Casa Verde.


Nos quesitos de avenida a Tom Maior se destacou. O samba de enredo funcionou maravilhosamente bem e aliada a magnífica voz do intérprete Renê Sobral passou como um dos melhores de 2012 tranqüilamente. A bateria do mestre Carlão novamente foi oa licerce de um grande desfile da Tom. A cada ano que passa parece que essa bateria cresce consideravelmete em qualidade e afinação.


Os meus queridos Jairo e Simone mais uma vez foram perfeitos em sua paresentação. Com a elegâcia de sempre o casal foi soberano na segunda noite de desfiles.


A Tom Maior é uma agremiação que vem se consolidando e a cada ano confirma sua crescente. Para 2013, a equipe comandada pela presidente Luciana Silva permanece para tentar quem sabe o título que o Markinho tanto sonhava. Seria sem dúvida um belo presente para o seu eterno presidente e para a sua comunidade valente que literalmente acompanha a Escola para onde ela for.


Foi a grande surpresa de 2012!!!

"Eu sou da Nação, sou valente e festeiro..."

... Corintiano loucamente apaixonado!!!

É isso aí Nação, Corintiano sem h, esses somos nós.

Muita expectativa cercava o desfile dos Gaviões da Fiel em 2013, e o motivo principal, como não poderia deixar de ser era a homenagem (merecidíssima, diga-se de passagem) ao ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, uma legenda do país e "corintiano loucamente apaixonado", como fazia-lhe referência o samba de enredo.

Pois bem, o desfile não decepcionou, mas também não foi tudo aquilo que esperavamos. Foi mais um daqueles casos de um desfile que não aconteceu na avenida.

A trinca de carnavalescos formada por Delmo de Moraes, Fabio Lima e Igor Carneiro resolveu dar início a história do ex-presidente partindo da Literatura de Cordel. "Verás Que um Filho Fiel Não Foge a Luta - Lula o Retrato de uma Nação) ganhou ares de mágia e encanto nas páginas de um grande românce.

A comissão de frente trouxe gravuras fabulosas inspiradas nos grandes mestres do cordel. As representações da infância sofrida do menino Luis em Garanhuns, da vinda para São Paulo, do periodo como metalurgico e sindicalista em São Bernardo do Campo e a consagração como Presidente da República foram brilhantemente ilustradas em painéis que acompanhavam os 15 integrantes da comissão.

Na sequência, uma belíssima ala de baianas fazendo alusão a mãe de Lula e lembrando a paisagem hárida e seca do sertão nordestino constrastou maravilhosamente com uma ala marcada representando escorpiões, em referência ao signo astral do homenageado.

O carro abre-alas inovou e trouxe na figura do simbolo máximo da agremiação um gavião carcará, um dos expoentes da fauna nordestina. A gigantesca escultura foi toda revestida com plumas confeccionadas em um material flexível o bastante para simular o bater de asas de uma ave nos seus mínimos detalhes. A alegoria em sí, apresentava dois módulos de acoplagem e trazia figuras referentes ao cordel e uma nova menção ao signo do ex-presidente. O simbolo do Corinthians surgiu em meio aos raios do Sol bem à frente do carro.

Daí pra frente houve uma queda na qualidade de algumas peças, mas mesmo assim era um desfile muito à cima dos últimos que a Escola havia feito. Via-se claramente em cada detalhe a marca do trabalho do carnavalesco Delmo de Moraes, que desde os tempos em que era o fiel escudeiro do Roberto Szaniecki, mostrou-se detalhista e exigente no acabamento de alegorias e fantasias. O carro que aludia a Ditadura Militar e a Repressão era belíssimo, com materiais de qulidade e uma pintura de arte suprema. Realmente muito bonito.

As fantasias de um modo geral estavam a contento, mas confeço que ainda sinto saudades do requinte nos figurinos no tempo do Jorge Freitas. Haviam alas muito bem vestidas contrastando com fantasias de gosto um tanto quanto duvidoso. Mas enfim...

O samba de enredo ao meu ver era o melhor que a Escola apresentava desde 2004 e foi muito bem levado pelo veteraníssimo Ernesto Teixeira e sua equipe. A bateria de mestre Pantchinho manteve a média e foi uma das melhores da noite, com destaque para a troca de fantasias ocorrida no recuo, onde os componentes passaram de operários para presidentes da República. Na ocasião, a rainha de bateria Tati Mineratto também trocou de roupa, ou melhor, tirou a roupa, pois passou de uma macacão para uma "mera" pintura corporal. Meu Deus!

O casal de mestre-sala e porta-bandeira dos Gaviões, os meus queridíssimos conterrâneos Dorival e Gislene, ou melhor, Bozó e Gi são um espetáculo à parte. Donos de um estílo clássico, o casal evolui levemente e não perdem o sorriso um só minuto. Como deu para perceber adoro esses dois, né...rs

Na média o desfile dos Gaviões foi muito bom, mas o fato de ser Gaviões da Fiel pesa muito. Algumas notas atribuídas a agremiação mostram claramente que as pessoas ainda a julgam de maneira equivocada por se tratar de uma organizada. Exemplo melhor que o bizarro 8,9 atribuído à Esvola por uma jurada (certamente anti) de evolução não há. Isso sem contar algumas outras notas que são totalmente controversas.

O pior de tudo é que o msmo descaso para com os Gaviões da Fiel não há na hora de se avaliar Mancha Verde e Dragões da Real. Mas claro, nenhuma das duas tem 43 anos de história e 4 títulos conquistados (para o desespero geral).

Colocação à parte, foi um desfile legal.

Os dirigentes da Escola no entanto devem buscar o equilibrio entre os setores e dar oportunidade aos seus componentes de desenvolver um trabalho à longo prazo. Isso parece que irá acontecer. Ernesto Teixeira (este intocável), Bozó e Gi e mestre Pantchinho já tem sua permanência assegurada para 2013. Dúvida ainda fica por conta dos carnavalescos, mas os mesmos possuem o respaldo da diretoria e devem continuar à frente do Carnaval da agremiação. Agora é escolher um enredo forte e tentar retomar uma trajetória de sucesso precocemente interrompida por uma fatalidade em 2004.

"Quem é Vila Maria, levante as mãos..."

Não vou classificar o desfile da Unidos de Vila Maria em 2012 como uma decepção, porém, foi uma apresentação muito, mas muito à baixo do que eu esperava.

Sei também que o grande carnavalesco Chico Spinoza está isento de culpa neste caso, já que quem teve acesso ao seu projeto de carnaval (assim como eu) sabe que ele estava preparando um desfile arrebatador em termos de alegoria e fantasias. A realização do trabalho é que deixou e muito à desejar.

O enredo "A Força Infinita da Criação, Vila Maria Feita a Mão" até dava margem para uma viagem interessante pela jornada criativa das mãos, como tanto o Chiquinho pregava. Mas sabe aqueles desfiles que simplesmente não acontencem na avenida? Pois é, nada aconteceu.

É verdade também que para um enredo que já passou pela avenida algumas vezes (União da Ilha, 1983 e Barroca Zona Sul, 2005) se esperava algo mais claro, o que não aconteceu em alguns momentos. Acho inclusive que a dificuldade em visualizar algumas situações propostas pelo carnavalesco foi o "Calcanhar de Aquiles" da Vila em 2012.

Em termos alegóricos o abre-alas e o carro da Torre de Babel, foram muito superiores aos demais. O acabamento, umas das marcas do Chiquinho foi bem executado, mas ainda assim muito à baixo do que o carnavalesco costuma apresentar nas Escolas por onde passa. As fantasias de ala estavam confusas e de dificílima interpretação. Prova maior disso foram os babalorixás da bateria que mais pareciam caçadores primitivos (urôs). Por outro lado, bem executadas e com materiais sofisticados, comprovando a tal da "estética caprichada" da qual Spinoza tanto vinha se gabando.

Quero destacar a ala das baianas que trouxe em sua saia tecido pastilhado gliterizado e com aplicações exclusivas. No momento em que as baianas giravam podia se notar o brilho diferente que esse tecido proporcionava. Muito legal.

O melhor de tudo foi ver o samba de enredo que era tão criticado pela mídia e nos foruns de Carnaval na internet crescer e passar na noite do dia 18 de fevereiro como um dos melhores do ano. Ponto fraco na parte música é a participação pra lá de apagada do intérprete Nêgo, que foi mero coadjuvante do Fernandinho SP que retornava à agremiação.

A excepcional bateria da Vila que estreava o mestre Zuca ao lado do competentíssimo mestre Mí mais uma vez foi soberba, apresentando-se com uma pegada invejável. É seguramente uma das mais fortes de São Paulo. E sem dúvida nenhuma, aquela que trás a sua frente o melhor time feminino do Carnaval. Este ano, com todo o destaque para a maravilhosa Quitéria Chagas. Faziam parte dessa charmosa corte: Priscila Bonifácio, Monalisa Marques, Flavia Viana, entre outras beldades. Um verdadeiro colírio para os olhos.

Defendendo o pavilhão da Vila, mãe e filho. Rodrigo e Marina formaram pelo terceiro ano consecutivo o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação e a exemplo de 2011 deram um verdadeiro show de elegância apresentando uma dança tradicional e muito bem ensaiada. Gosto muito de ver esse casal bailar.

O presidente Paulo Sergio Ferreira, o Serginho resolveu manter Chico Spinoza à frente do carnaval da agremiação para 2013 e ao meu ver, acertou em cheio. O intérprete Nêgo deu adeus a Vila e inclusive já acertou seu retorno ao Império Serrano no Rio de Janeiro. Até o momento, Fernandinho SP está efetivado no primeiro microfone da agremiação. Mas o sonho continua sendo Carlos Junior. Nas demais posições não haverá mudanças.

"Águia de Ouro eterna paixão..."

Cebolito, Cebolito... se prepara...rs

A Águia de Ouro é uma Escola onde só tenho amigos, assim, é normal que eu tenha muito carinho pela agremiação, porém algumas verdades devem ser ditas.

Quando foi anunciado o enredo "Tropicália o Movimento da Paz e do Amor" pensei: "putz... taí um grande enredo!". Estava super otimista com o desenvolvimento desse carnaval pelo meu amigo Cláudio Cavalcante, o Cebola. O desenvolvimento não me decepcionou, mas alguns fatos foram no mínimo difíceis de digerir.

O começo da apresentação foi animador, com uma comissão de frente bem organizada e uma elemento algórico de muito bom gosto anteviam um abre-alas que sem dúvida alguma é o mais belo da história da Águia de Ouro. Nesse quesito, ponto para o Cebola que ano após ano vem se aperfeiçoando e trabalhando os detalhes que no início tanto lhe faltavam.

Algumas alegorias seguiram o capricho do abre-alas, mas outras como a do Cassino do Chacrinha, por exemplo, estavam mau realizadas e com problemas no acabamento. O carro dos Festivais, que trazia personalidades do porte de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Angela Maria, entre outros, tinha madeira aparente na grande escadaria que tomava todo o carro. Problemas que sem dúvida alguma comprometem o conjunto geral de um desfile.

Nas fantasias uma unidade cromática e de realização mais agradável. Gosto muito da distribuição de cores usada pelo Cebola. Ponto para a Escola.

O samba de enredo, se não era uma grande obra, serviu bem ao tema e embalou o desfile de maneira satisfatória. A interpretação de Serginho do Porto também merece destaque. O cantor que já é figurinha carimbada nos desfiles da Águia desde 2002 imprimiu um andamento muito gostoso ao samba e o "levou" numa boa do início ao fim do desfile.

A bateria do mestre Juca é que vem se mostrando mais tímida nos últimos anos abandonando totalmente as convenções e as coreografias que a consagrou no Carnaval paulistano. Isso talvez tenha se dado devido a algumas notas um tanto quanto controversas atribuídas a ela ao longo dos anos. Um destaque ainda falando em bateria vai para a rainha Valeska Popozuda que surgiu em frente a ala belíssima (quem diria!) de rosa representando uma borboleta.

Para defender o primeiro pavilhão da Escola uma estréia: David Sabiá e Fernanda Love. O jovem casal se saiu muito bem em sua primeira oportunidade à frente da Águia da Pompéia e mostrou que a experiência é obtida apenas com uma sequência de trabalho. Parabéns ao presidente Sidnei Carrioulo que acreditou na dupla.

No geral foi um desfile correto. Na minha modesta opinião, superior ao de 2011 que obteve a 6° colocação. Este ano, a 11° colocação não refletiu o que foi apresentado na avenida, porém, a comunidade da Pompéia não tem muito para reclemar, já que grande parte da comunidade "sambística" de São Paulo queria rebaixa-la no lugar da Pérola. Ao meu ver nem uma nem outra, mas isso não vem ao caso.

Seguindo a sua linha de trabalho, o presidente Sidnei deverá manter a equipe visando aperfeiçoar os quesitos que de alguma forma necessitem de uma reavaliação. Essa tranquilidade que os profissionais do Carnaval tem para trabalharem na Águia de Ouro é a formula do "sucesso" da agremiação que de 1999 para cá esteve no Grupo Especial em treze oportunidades. O carnavalesco Cebola inclusive já me confidenciou que vem trabalhando em cima de uma idéia que pretende levar para a avenida em 2013.

O mais importante é que a comunidade e a diretoria não desanimem pelo resultado, pois sei que muito se esperava desse desfile. Mas em vista do que se transformou o Carnaval de São Paulo, resultado é o que talvez menos importe no momento. Força Pompéia!