quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Parada de Natal agita o centro de Bragança



Na noite da última terça-feira (13/12), aconteceu a Primeira Parada de Natal, realizada pela secretária de cultura e turismo e a prefeitura municipal de Bragança Paulista.


O cortejo que teve início as 20:15 h. com saída do pátio do Palácio Santo Agostinho, percorreu as principais ruas do centro da cidade e chamou a atenção da população que se aglomerou pelas calçadas e janelas das casas e apartamentos para conferir o evento, até então inédito na cidade.


Por se tratar de uma novidade, a plástica ficou devendo um pouco mais de esmero por parte da equipe que desenvolveu os 9 carros alegóricos que desfilaram pelas ruas do centro. A falta de personagens vindos no chão também comprometeu um pouco a parte estética. Mas o que vale mesmo é o esforço do secretário de cultura, Raúl Lencine (que eu tenho criticado muito ultimamente pela postura e principalmente por não ser uma pessoa ligada a cultura) em proporcionar mais atrações natalianas à cidade.


Os cerca de 60 figurantes que desfilaram na Parada estavam muito bem trajados, e aí vai o elogio aos figurinistas que trabalharam nos bastidores. Bailarinas, Soldadinhos, Rainhas do Gelo, Princesas, Duendes e muitas Mamães Noéis, desfilaram seu encanto em meio as alegorias.


Fico na torcida para que o evento não tenha ocorrido pela primeira e única vez (como já aconteceu com alguns projetos da Prefeitura Municipal). Assim, a tendência é que a cada ano possam se aperfeiçoar e que ao longo dos próximos anos tenhamos uma Parada de Natal de respeito e a nível nacional.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Eleita "Garota da Capa" do Carnaval 2012



Foi eleita na noite do último sábado (10/12/2011), com grande festa na quadra da Nove de Julho, a Garota da Capa, que ilustrará a 7° edição da Revista do Carnaval de Bragança Paulista.


Em um evento que contou com a participação das 9 agremiações filiadas a LIESB (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista), saiu vencedora a modelo Shaiane Rizardi (foto), de 20 anos, representante da Caprichosos Saada.


Shaiane, que recentemente foi 3° colocada no Miss Bragança, será a capa da publicação anual que trás as principais informações do Carnaval de Bragança Paulista e de suas agremiações.


A previsão inicial é de que a Revista do Carnaval 2012 seja lançada no dia 14 de janeiro, durante a escolha da corte do Carnaval, que acontece tradicionalmente no Ginásio de Esportes Dr. Lourenço Quilice.


Parabéns a grande vencedora!!!

Sambas Enredo de São Paulo



Este ano, diferentemente do que vinha acontecendo nos últimos dois anos onde eu sofri até conseguir comprar o meu Kit com o CD dos sambas de enredo mais a Revista do Carnaval de São Paulo (foto), me antecipei e já tenho em mãos o produto, dois dias após o seu lançamento!!!


Ouvi apenas uma vez os CD's (Especial e Acesso) até agora, porém, já dá para perceber algumas obras de qualidade.


Assim como foi feito com os sambas das 13 agremiações que compõe o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, também irei analisar e comentar os 14 sambas de enredo das Escolas de Samba da Elite do samba paulistano.


Em breve, também irei comentar o CD com os sambas de enredo de Bragança Paulista, lançado com festa no último sábado 10/12/2011, na quadra da Nove de Julho.


Fiquem ligados!!!

Beija-Flor de Nilópolis



Enredo: "São Luis - O Poema Encantado do Maranhão"


Carnavalescos: Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André Cezari


Campeã de 2011, a Baija-Flor de Nilópolis aposta mais uma vez na mística de São Luís, capital do Maranhão como o pano de fundo do seu enredo para o Carnaval de 2012. Vale à pena lembrar que em 2001 a Escola apresentou "Agotime", uma história que se passava na capital maranhense. E que em 2010 em São Paulo, a Acadêmicos do Tucuruvi desfilou os encantos dessa cidade em um belíssimo desfile. Portanto, o enredo é batido. Mas nada disso parece pesar, afinal, há uma série de possibilidades visuais para enriquecer o desfile da Escola da baixada. Resta saber também o quanto pesa a saída do carnavalesco Alexandre Louzada, responsável pela elaboração dos desfiles da Beija de 2007, 2008, 2009 e 2010 (em 2011, já brigado com o diretor de carnaval da agremiação, Louzada não participou ativamente da elaboração do enredo sobre Roberto Carlos). No entanto, aposto muito no trabalho do Fran Sérgio e do Victor Santos, agora no comando do projeto visual da Beija-Flor.


Diferente de 2011, quando critiquei muito o samba que a Escola levou para a Marquês de Sapucaí, em 2012 me rendo a beleza e a qualidade da obra da "Deusa da Passarela". Se redimiu com sobras! A composição que leva a assinatura de doze (isso mesmo, doze) compositores prima pela força da melodia, o que já é característica da agremiação. A letra é cheia de clichês e palavras rebuscadas, porém, a exuberância do conjunto abafa pequenas deficiências. Não o considero do mesmo nível por exemplo de Portela, Imperatriz, Salgueiro e Vila Isabel, porém, é inquestionável o fato de que pode garantir a nota 10 que a agremiação busca neste quesito. A introdução da faixa no álbum também é de arrepiar. A obra em sí conta com um refrão senssacional (segundo refrão) e que conseguiu encaixar perfeitamente em meio a seus versos a dificílima palavra "Abeokutá". Louvável. O primeiro refrão (cabeça) não tem a mesma qualidade, mas é correto e faz mensão ao poema "Canção do Exílio", com o verso "Onde canta o sabiá...". Resumindo: o samba é a cara da Beija-Flor. Com isso torna-se possibilíssima a idéia de um novo campeonato para a Escola da baixada (por mais que isso me incomode).


Letra do Samba


Autores: J. Velloso, Adílson China, Carlinhos Detran, Samir, Serginho Aguiar, Jr. Beija-Flor, Silvio Romai, Hugo Leal, Gilberto Oliveira, Ricardo Lucena, Thiago Alves e Rômulo

Intérprete: Neguinho da Beija-Flor


Tem mágia em cada palmeira que brota em seu cão

O homem nativo da terra

Resiste em bravura

A dor da invasão

Do mar vêm três coroas

irmão, seu olhar mareja

No balanço da maré

A maldade não tem fé sangrando os mares

Mensageiro da dor

Liberdade roubou dos meus lugares

Rompendo grilhões em busca da paz

Na força dos meus ancestrais


Na Casa Nagô a luz de Xangô, axé

Mina jejê, um ritual de fé

Chegou de Daomé, chegou de Abeokutá

Toda a mágia do vudun e do orixá


Ê, rainha, o bumba-meu-boi vem de lá

Euq uero ver o cazumbá sem a serpente acordar

Hoje a minha lágrima transborda todo mar

Fonte que a saudade não secou

Ó, Ana, assombração na carruagem

Os casarões são a imagem

Da história que o tempo guardou

No rádio o raggae do bom

Marrom é o tom da canção

Na terra da encantaria a arte do gênio João


Meu São Luis do Maranhão

Poema encantado de amor

Onde canta o sabiá

Hoje canta a Beija-Flor

Unidos da Tijuca



Enredo: "O Dia em que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida Para Coroar o Rei Luiz do Sertão"


Carnavalesco: Paulo Barros


Aquela que vem se tornando um verdadeiro "bicho papão" na década tem em 2012 um de seus maiores desafios em sua história recente: um enredo biográfico desenvolvido pelo sempre genial Paulo Barros, o mais badalado carnavalesco da atualidade. Comentam que a homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião" nasceu mais como uma resposta ao título controverso da Beija-Flor em 2011, em cima da própria Tijuca e tão contestado por Paulo. Fato é que mesmo como forma de protestar, a Azul e Amarelo tem em mãos um dos melhores enredos do ano. As possibilidades para se falar do homenageado e de sua terra natal são infinitas. A única preocupação se é que assim podemos dizer, fica por conta da linha de desenvolvimento adotada pelo carnavalesco. Uma coisa já sabemos: não será nada convencional, é claro. Esse desembarque da realeza em plena avenida ainda guarda muitas surpresas e gera grandes expectativas, mas não estranhe se alguns reis como Elvis, Michael Jackson e o próprio Roberto Carlos apareçam para coroar Luiz Gonzaga, o rei do sertão. Estou curioso!!!


E parece que a aparente mudança na linha de enredos escolhidos pela Escola e por seu carnavalesco fizeram bem ao que diz respeito a samba enredo. Após uma sucessão de sambas medianos e até mesmo fracos, a Unidos da Tijuca tem um bom samba. De melodia valente e letra descritiva a obra prima pela simplicidade, o que me agrada muito. Assim como no Salgueiro, o palavreado rebuscado e tradicional do nordeste brasileiro se faz presente durante todo o hino, o que dá um charme mais do que especial. Os refrões são muito bons e o grande sucesso "Asa Branca", principal "rit" do homenageado se faz presente logo na cabeça so samba. Algumas citações a cultura e as principais riquezas artesanais do nordeste brasileiro, como as rendas e as estátuas de barro aparecem durante a letra. Na segunda metade do samba é que as principais obras de Luiz Gonzaga são lembradas com mais fervor. "Saudades do Meu São João", "Respeita Véio Januário", Numa Serenata" e "Meu Pé de Serra" são algumas delas. Eu particularmente gosto muito desse samba e acredito em mais um grande desfile da Escola do Borel.


Letra do Samba


Autores: Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Callado e Silas Augusto

Intérprete: Bruno Ribas


Nessa viagem arretada

"Lua" clareia a inspiração

Vejo a realeza encantada

Com as belezas do sertão!

"Chuva, sol", meu olhar

Brilhou em terra distante

Ai que visão deslumbrante, se avexe, não!

Muié rendá é rendeira

E no tempero da feira

O barro, o mestre, a criação!


Mandacaru, a flor do cangaço...

Tem "xote, menina", nesse arrasta-pé

Oh! Meu parim, santo abençoado

É promessa, eu pago, me guia na fé


Em cada estação, a "triste partida"

Eu vi no caminho vida severina

À margem do Chico espantei o mal

Bordando o folclóre, raiz cultural...

Simbora que a noite já vem, "saudades do meu São João"

"respeita véio Januário, seus oito baixo tinhoso que só"

"Numa serenata" feliz vou cantar

No meu pé de serra festejo ao luar...

Tijuca a luz do arauto anuncia

Na carruagem da folia, hoje tem coroação!


A minha emoção vai te convidar

Canta, Tijuca, vem comemorar

"Inté Asa Branca" encontra o pavão

Pra coroar o "Rei do Sertão"

Estação Primeira de Mangueira



Enredo: "Vem Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira!"


Carnavalesco: Cid Carvalho


Por mais que a Mangueira prestando uma justa homenagem ao Cacique de Ramos me cause profunda estranheza (seria mais aceitável se a Escola em questão fosse a Imperatriz Leopoldinense, nãoa cham?) não posso negar que se trata de um grande enredo. Só os bambas que surgiram e se criaram neste bloco já daria uns três desfiles. Assim, resumir tamanha história não será uma missão das mais simples para o carnavalesco Cid Carvalho. Uma coisa no entanto acredito que irá pesar muito no desfile da velha manga em 2012: a plástica cunfusa e por vezes "cafona" do seu carnavalesco, algo que não combina com a Verde e Rosa. Entretanto, parece que os jurados não levam o visual da Escola em conta nos últimos julgamentos, afinal, tanto em 2010, como em 2011 a Mangueira passou fraquinha e voltou para as campeãs. Vai entender!


Mais um bom samba da safra de 2012. Fico feliz em ler o nome dos compositores desta obra e me deparar com figuras vencedoras na Estação Primeira, como Junior Fionda, Lequinho e Igor Leal. As escolhas pessoais do presidente dessa agremiação por vezes exaltadas por sua apaoxonada comunidade nunca me convenceram, embora na avenida houvesse aquele vendaval de notas 10 (mais uma vez, vai entender!). Tanto em letra quanto em melodia não há muito o que ser dito do samba enredo da Escola. A composição é animada como o enredo pede e possui letra descritiva e simples, algo que há muito eu não via na Estação Primeira. Os refrões são verdadeiros "arrasta quarterão", aquele que não deixa ninguem parado. Ponto para os compositores! Tanto na primeira quanto na segunda parte do samba, vemos boas sacadas como por exemplo as citações a algumas obras de autores oriundos do Cacique e como o "Sim..." entoado nos primeiros versos da segunda parte. As variações de melodia nos trechos finais também são dignas de destaques. Agora... qual a necessidade de tanta gente para gravar uma única faixa no CD dos sambas de enredo??? Eu fico inconformado com isso, uma vez que na avenida estarão "apenas" os intérpretes da agremiação, aqueles que passam meses ensaiando e se apresentando por aí com a Escola. Esses sim devem ser louvados e exaltados naquilo que fica imortalizado após o Carnaval: o CD. Também não vejo a necessidade de quatro intérpretes oficiais, sendo que de todos, o único que EU consigo identificar como a vóz da Mangueira é o Luizito, substituto natural do mestre Jamelão. Falando no méstre dos intérpretes, aposto que se estivesse vivo, metade desse povo que foi colocado na Escola pelo seu presidente não passaria nem perto do Palácio do Samba. Mas enfim. Mesmo com todos esses poréns, o samba enredo da Estação Primeira de Mangueira para 2012 é bom, diria até superior ao de 2011, tão elogiado pelos mangueirenses. Caso Cid Carvalho deixe de lado seus excessos e trabalhe um bom degradê Verde e Rosa (faz tempo que ele não aparece em destaque, heim), a Manga entra na briga pelo título. Vamos esperar pra ver.


Letra do Samba


Autores: Junior Fionda, Lequinho, Igor Leal e Paulinho Carvalho

Intérpretes: Luizito, Zé Paulo Sierra, Ciganerey e Vadinho Freire

Participações: Beth Carvalho, Xande de Pilares, Dudu Nobre, Sombrinha e Jorge Aragão


Salve a tribo dos bambas!

Onde um simples verso se torna canção...

Salve o novo Palácio do Samba!

O "doce refúgio" pra inspiração

Debaixo da tamarineira

Oxóssi guerreiro me fez recordar

Um lugar... O meu berço um novo lar

Seguindo com os "pés no chão"

"Raiz" que se tornou religião

Da bohêmia, dos antigos carnavais

Não esquecerei jamais!


Firma o batuque, quero sambar... me leva!

A surdo um faz festa!

Esqueça a dor da vida...

Caciqueando na avenida


Sim...

Vi o bloco passando, o nobre rezando e o povo a cantar

Sim...

Era um nó na garganta ver o Bafo da Onça desfilar...

Chora, chegou a hora eu não vou ligar

Minha cultura é arte popular

Nasceu em fundo e quintal...

Sou imortal e vou dizer

Agonizar não é morrer

Mangueira fez o meu sonho acontecer...

O povo não perde o prazer de cantar

Por todo universo minha voz ecoou

Respeite quem pêde chegar

Onde a gente chegou!


Vem festejar na palma da mão

Eu sou o samba, "a voz do morro"!

Não dá pra conter tamanha emoção

Cacique e Mangueira num só coração

Unidos de Vila Isabel



Enredo: "Você Semba lá... Que eu Sambo cá! O Canto Livre de Angola"


Carnavalesca: Rosa Magalhães


Com um enredo que já vem namorando a um certo tempo, a Unidos de Vila Isabel se inspirou nas cores, nos ritmos e na força do povo angolano na busca pelo seu terceiro título no Grupo Especial. A temática não é inédita (em São Paulo a Tom Maior falou sobre Angola em 2009) mas com tanta história e curiosidades acerca desse simpático país africano a Azul e Branco poderá fazer um desfile totalmente original. É claro que o talento e o indiscutível bom gosto da carnavalesca Rosa Magalhães faz a diferença à favor da Escola. Na escolha desse enredo pesou também uma homenagem a Martinho da Vila, presidente de honra da agremiação e que leva o bairro de Nöel em seu nome. Uma curiosidade interessante sobre Martinho é que ele seria o homenageado da Escola em 2010, ano do centenário de Nöel Rosa, porém, o mesmo recusou a homenagem apresentando a diretoria um enredo sobre o poeta de Vila Isabel. Particularmente é um desfile que eu aguardo com muita expectativa. Mais uma vez briga ferozmente pelo título.


Em um ano de boa safra, o samba enredo da Vila se destaca positivamente e só não pode ser considerado o melhor do CD pelo fato de termos uma obra fora de série apresentada pela Portela. É incrível como a parceria de André Diniz e Evandro Bocão (este ano com a valoroza colaboração de Arlindo Cruz) tem o dom de presentear a Unidos de Vila Isabel com grandes sambas de enredo. Em uma rápida retrospectiva, lembramos com entusiasmo de 1994 (Muito Prazer! Isabel de Bragança e Drummond Rosa da Silva mas Pode me Chamar de Vila), 2004 (A Vila é Para Ti), 2005 (Singrando os Mares e Construindo o Futuro), 2006 (Soy Loco Por Ti, América - A Vila Canta a Latinidade), 2009 (Neste Palco da Folia, é Minha Vila que Anuncia: Theatro Municipal - A Centenária Maravilha) e 2011 (Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo). Todas essas, composições de sucesso e extrema qualidade de Diniz e cia. A obra de 2012 possui uma estrutura melódica muito consistente e curiosamente a força maior do samba não está contida em seus refrões (também de qualidade). A espinha dorsal dessa obra é exatamente a sua "meiúca", onde podemos ver a explanação do enredo em versos longos e muito bem escritos. Vale à pena destacar o trecho "pergunta e resposta" na segunda metade do samba. Uma solução muito boa e bem executada na gravação do CD pelo intérprete Tinga e pelo coral da comunidade do Morro dos Macacos. Realmente, a Vila é detentora de um grande samba e que certamente irá embalar um desfile memorável. É aguardar pra ver.


Letra do Samba


Autores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Arthur das Ferragens

Intérprete: Tinga


Vibra, oh, minha Vila

A tua alma tem negra vocação

Somos a pura raiz do samba

Bate meu peito à tua pulsação

Incorpora outra vez kizomba e segue na missão

Tambor africano ecoando, solo feiticeiro

na cor da pele, o negro

Fogo aos olhos que invadem

Pra quem é de lá

Forja o orgulho, chama pra lutar


Reina, ginga, ê, matamba, vem ver

a Lua de Luanda nos guiar

Reina, ginga, ê, matamba, negra de zambi

sua terra é seu altar


Somos cultura que embarca

Navio negreiro, correntes da escravidão

Temos o sangue de Angola

Correndo na veia, luta e libertação

A saga de ancestrais

Que por aqui perpetuou

A fé, os rituais, um elo de amor

(Pelos terreiros) dança, jongo, capoeira

(Nascia o samba) ao sabor de um chorinho

Tia Ciata embalou

Nos braços de violões e cavaquinhos a tocar

(Nesse cortejo) a herança verdadeira

(A nossa Vila) agradece com carinho

Viva o povo de Angola e o negro rei Martinho


Semba de lá que eu sambo de cá

Já clareou o dia de paz

Vai ressoar o canto livre

Nos meus tambores, o sonho vive (a Vila)