domingo, 11 de dezembro de 2011

Acadêmicos do Salgueiro

Enredo: "Cordel Branco e Encarnado"

carnavalescos: Renato Lage e Marcia Lage

Mantenho-me irredutível no que disse assim que todos os enredos das agremiações do Grupo Especial foram lançados em uma breve análise dos mesmos: o Salgueiro tem o melhor enredo dentre as 13 agremiações que compõe a Elite do samba carioca. As possibilidades são infinitas e o requinte do mestre Renato Lage irá dar a este enredo um toque de classe que só os grandes craques do Carnaval podem conceber. Com a força da academia e o talento desse grande carnavalesco, a Vermelho e Branco se credencia ao título, o que já deveria ter acontecido em 2011, se não fossem os problemas enfrentados pela Escola em suas gigantescas alegorias.

O samba enredo escolhido para embalar o "Cordel Branco e Encarnado" é mais um dos bons sambas registrados no álbum de 2012. A composição vencedora é da parceria de Marcelo Motta, um compositor da nova geração que já tem algumas obras emplacadas na academia, porém, nenhuma como a deste ano. Mesmo não sendo nenhum clássico do porte de "Do Yorubá a Luz - A Auróra dos Deuses", o hino de 2012 tem lá os seus encantos. O primeiro ponto positivo que vale à pena ser destacado é a identificação entre o samba e a Escola, ou seja, tem a cara do Salgueiro. Sabe aquela história de que existem sambas que paressem que foram feitos para o intérprete (como muito acontecia na Mangueira na década de 90)? Pois é. Parece que Marcelo Morra e cia. pensaram no sr. Melquisedec Marins Marques, o Quinho no momento em que escreviam este samba. O refrão de cabeça é perfeito. Possui uma mescla de frases e bordões regionalistas e uma bela exaltação ao pavilhão "Branco e Encarnado" que certamente vai fazer transbordar de orgulho os corações salgueirenses. Aliás, as expressões típicamente nordestinas dominam a obra. Mesmo o enredo não seguindo uma cronologia específica, o samba não se perde em momento algum, dando a impressão de que o desfile será todo ele pontuado em cima dessa letra. Não faltam é claro citações ao livro "Carlos Magno e os 12 Pares de França", a obra Pavão Misterioso, o beato Antônio Conselheiro e a fé do povo nordestino personificada na figura mais marcante do povo do sertão, o "Padinho" Padre Cicero (Padin Ciço, como preferir). Sempre vibro ao ouvir o samba no trecho: "Vá de retro, sai, assombração/Volta pra ilusão do além/No repente do verso/O "bicho" perverso não pega ninguém/Oh! Meu "padinho" venha me abençoar/Meu santo é forte, desse "cão" vai me apartar/Quero chegar ao céu num sonho divinal.../É carnaval! É carnaval!". Acho simplesmente lindo. Juntamente com as obras da Portela, Imperatriz e Vila Isabel, faz parte da galeria de "notas 10" do CD.

PS: ao meu ver, a trinca de intérpretes do Salgueiro funcionou maravilhosamente bem. Muito superior a "embolada" da Mangueira.

Letra do Samba

Autores: Marcelo Motta, Tico do Gato, Ribeirinho, Dilson marimba, Domingos PS e Diego Tavares
Intérpretes: Quinho, Sérginho do Porto e Leonardo Bessa

Sou "cabra da peste"
Oh! Minha "fia" eu vim de longe pro Salgueiro
Em trovas, errante, guardei
Rainhas e reis, e até heróico bandoleiro
Na feira ví o meu reinado que surgia
Qual folhetim, mais um "cadim", vixe maria!
"Os doze do imperador"
Que conquistou o romanceiro popular
Viagem na barca, a ave encantada
Paixão que vence a lenda
Mistério pairando no ar

Cabra macho, justiceiro
Virgulino, é Lampião!
Salve, Antônio Conselheiro
O profeta do sertão

Vá de retro, sai assombração
Volta pra ilusão do além
No repente do verso
O "bicho" perverso, não pega ninguém
Oh! Meu "padinho", venha me abençoar
Meu santo é forte, desse "cão" vai me apartar
Quero chegar ao céu num sonho divinal...
É carnaval! É carnaval!
Salgueiro, seus trovadores são poetas da canção
Traz sua corte, é dia de coroação
Não se "avexe", não

Salgueiro é amor que mora no peito
Com todo respeito, o rei da folia
Eu sou o cordel branco e encarnado
"Danado" pra versar na Academia

sábado, 10 de dezembro de 2011

Imperatriz Leopoldinense



Enredo: "Jorge, Amado Jorge"


Carnavalesco: Max Lopes


A grande sacada da Imperatriz em homenagear o escritor baiano Jorge Amado no ano em que completaria se estivesse vivo cem anos, foi sem dúvida alguma um ponto mais do que positivo para a agremiação da Zona da Leopoldina. O enredo também surge como uma chance de redenção para o carnavaleco Max Lopes, tão criticado e contestado após o desfile um tanto quanto irregular de 2011. No entanto, Max é especialista em enredos biográficos e também com a temática nordestina. Os dois principais assuntos abordados pela Verde e Branco em seu enredo para o Carnaval de 2012. Porém, nem tudo segue como esperado na Imperatriz Leopoldinense. No último mês de novembro, após um episódio ainda não exclarecido, o excepcional mestre de bateria da Escola, Marcone, foi deminito e agredido pelo presidente Luiz Pacheco Drummond, o que revoltou não só torcedores, mas também ritmistas que em solidariedade a seu mestre, também deixaram a Imperatriz. É sob este clima de incertezas, espectativas e a emoção provocada pela bela e justa homenagem a uma das maiores personalidades da história brasileira que a Imperatriz Leopoldinense segue rumo ao seu aguardado desfile na Marquês de Sapucaí.


Quanto a trilha sonora que irá embalar a Escola de Ramos em seu desfile, não tenho muito o que dizer. Nos últimos três anos a fertil e sempre inspirada ala de compositores da Imperatriz nos presenteia com um samba enredo de altíssima qualidade e beleza inquestinável. Em sua maior parte construído sobre melodias menores, a obra ganha um ar de nostalgia, talvez proposital e acertadíssima por parte dos autores. O rerfão de cabeça segue a linha dos últimos anos e valoria muito a composição. Durante toda a primeira parte do samba, a Bahia e a infância de Jorge Amado são narrados com muita competência em uma sucessão de versos maravilhosos. O refrão do meio então é de "parar o quarteirão" de tão belo que é. A parte final brinca com as variações melódicas e citam as obras do autor e a religiosidade do povo baiano. Será interessante ver a ótica da Bahia trazida pela Imperatriz logo após a passagem da Portela, que também investe no tema. Fato é que ambas possuem sambas enredo excepcionais, porém, a Azul e Branco de Madureira leva vantagem por conter um samba antológico. O da Imperatriz é muito bom, excelente até, eu diria. Mas não é uma obra-prima. Ao meu ver, o segundo melhor do ano.


Temos que tirar o chapéu e reverenciar essa magistral ala de compositores da Escola de Ramos que ano após ano vem nos presenteando com sambas enredo dessa categoria!!!


Letra do Samba


Autores: Jeferson Lima, Ribamar, Alexandre D'Mendes, Cristóvão Luiz e Tuninho Professor

Intérprete: Dominguinhos do Estácio


Ave, Bahia sagrada!

Abençoada por Oxalá!

O mar beijando a esperança

Se lança nos braços de Iemanja

Menino amado...

Destino bordado de inspiração

Iluminado...

Vestiu palavras de fascinação


Olha o acarajé! Quem vai querer?

Temperado no axé e dendê

Quem tem fé vai a pé... Vai sim!

Abris caminhos na Lavagem do Bonfim


No rio... o vento soprou

As letras em liberdade

Joga a rede, pescador!

O povo tem sede de felicidade

A brisa a embalar

Memórias que falam de amor

Momórias sob o lume do luar

O doce perfume da flor

Ê, Bahia! Ê, Bahia!

Dos santos, encantos, mágia

Kaô, kabesilê! Ora iê iê, Oxum!

Tem festa no Pelô

Na ladeira, capoeira mata um


Sou Imperatriz! Sou emoção!

Meu coração quer festejar!

Ao mestre escritor, um canto de amor

Jorge Amado, saravá!

Mocidade Independente de Padre Miguel



Enredo: "Por ti, Portinari, Rompendo a Tela, a Realidade"


Carnavalesco: Alexandre Louzada


Em um ano de grandes enredos no Carnaval carioca, a Mocidade Independente de Padre Miguel parece se reaproximar de sí mesma na busca pelo retorno a suas origens, afinal, é inadimissível uma agremiação do porte da Verde e Branco da Zona Oeste ficar tanto tempo sem conquistar um campeonato, e pior, é ainda mais revoltante estar a exatos dez anos sem sequer retornar ao sábado das campeãs. Pois bem, o enredo autoral do campeoníssimo carnavalesco Alexandre Louzada é a principal aposta dos independentes para ver a sua Estrela Guia novamente brilhando no topo. A riqueza do enredo é mais do que suficiente para empolgar esta apaixonada e sofrida torcida que a cada ano vem ganhando mais adeptos no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Como todos sabem, o meu coração é da Mocidade!!!


Após anos batendo na trave sempre com grandes composições a parceria encabeçada pelo jovem e talentoso compositor Diego Nicolau enfim obteve a consagração máxima, conquistando de forma indiscutível e com a preferência de quase 100% dos torcedores da Mocidade. A obra que é toda envolta por uma melodia cativante e muito bem trabalhada nas variações entre notas maiores e menores, tem ótimas sacadas na letra, que descreve a obra do homenageado com muita competência. A tempos a Mocidade devia a sua torcida um samba enredo de verdade, como o que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2012. Os refrões são sem sombra de dúvidas o ponto alto da composição e após a pequena modificação feita na cabeça do samba por parte da direção de carnaval da agremiação, ao trocar "na voz da minha Mocidade", por "nas cores da felicidade", derão uma imponência ainda maior a obra. Não chega a ser um samba para entrar na história da Mocidade, como "Mãe Menininha do Gantois", "Como Era Verde o Meu Xingú", "Ziriguidum 2001", "Tupinicópolis", "Villa Lobos", entre outros. Mas é extremamente feliz e certamente fará os torcedores da Escola de Padre Míguel acreditar que os bons momentos vividos em outrora podem estar de volta.


OBS: Em 2012, realizarei o meu sonho de ver o Luizinho Andanças puxando o samba da minha Mocidade na Sapucaí!!!


Letra do Samba


Autores: Diego Nicolau, Gabriel Teixeira e Gustavo Soares

Intérprete: Luizinho Andanças


Eu guardei

A mais linda inspiração

Pra exaltar em tua arte

A brasilidade de sua expressão

Desperta o gênio pintor

Mostra o seu talento, revela o dom

Deixa a estrela guiar

Faz do firmamento seu eterno lar

Solto no céu feito pipa a voar

Quero te ver qual menino feliz

Planta a semente do sonho em verde-matiz


Emoção me leva

Livre pincel a deslizar

Vou navegar, desbravador

Um errante sonhador


Voar pelas asas de um anjo

Num céu de azulejos, pedir proteção

Vida de um retirante

No Sol escaldante que queima o sertão

Moinhos vencer, histórias de amor

Riscar poesias em lápis de cor

Você que do morro fez vida real

Pintou nossos lares num lindo mural

Você, retratando a alma, se fez ideal

Meu samba canta mensagens de "Guerra e Paz"

Seu nome será imortal em nosso carnaval


É "por ti" que a Mocidade canta

Portinari, minha aquarela

Rompendo a tela, a realidade

Nas cores da felicidade

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Unidos do Porto da Pedra

Enredo: "Da Seiva Materna ao Equilíbrio da Vida"

Carnavalesco: Jaime Cezário

O que dizer sobre um enredo que fala do iogurte? Nem eu mesmo sei. E olha que estou tentando me acostumar com a idéia desde o anuncio oficial do tema, na época, ainda sobre a direção artística de Roberto Szaniecki. Algum tempo se passou, o nosso amigo polonês não conseguiu mais uma vez cumprir os prazos (grande novidade!) e cabeças rolaram pelos lados de São Gonçalo. Para o seu lugar chegou o bom Jaime Cezário que recuperou o tempo perdido com muito trabalho e com o seu costumeiro bom gosto que marcou a apresentação dos protótipos das fantasias, todas muitíssimo elogiadas pela crítica. Fato é que o enredo ainda é duro de digerir, afinal, prova por A mais B que a exploração comercial e o pomposo patrocínio da Danone é a única coisa que pesou na escolha do tema. É uma pena que o Carnaval esteja sendo "dirigido com sabor comercial", como maravilhosamente bem pregou a São Clemente em 1990.

Um enredo rium só poderia gerar um samba de gosto duvidoso. Pra mim, o pior samba do ano e o pior da história da Porto da Pedra. Todo quebrado e com letra pobre, a obra não foi salva nem com o vozeirão do intérprete Wander Pires. Lembram-se do hilário "Mandamento, Palavra, Padre", que concorreu no Império Serrano em 2006? Pois é, parece que os compositores do Tigre de São Gonçalo aprenderam um bocado com a dupla imperiana. Ouvindo a obra por várias vezes, vejo que nada se salva. É todo horrível. O primeiro refrão é triste. A primeira parte junta um série de palavras pouco utilizadas como por exemplo "iguaria" e "fermentou" e ainda nos brinda com a patética rima de "Hera" (deusa da mitologia grega) com "gera". O segundo refrão ése não é pior que o de cabeça, briga ferozmente pelo posto. Começa a uns cinquenta por hora e do nada engata a primeira e do nada está a mais de duzentos por hora. É o preço que se paga por esticar tanto os versos. Quando a obra tenta fazer o tipo mais melodiosa logo na saída do citado refrão, fica ainda pior. Olha... prefiro nem comentar. Quem tanto criticou os sambas de 1998 e de 2008 da Escola, hoje deve clamar pelo retorno de obras daquele nível embalando os desfiles da agremiação. Caminha a passos cada vez mais largos rumo ao Grupo de Acesso.

Tenho pena do Jaime Cezário.

Letra do Samba

Autores: Vadinho, Fernando Macaco, Tião Califórnia, Cici Maravilha, Bento, Denil e Oscar Bessa
Intérprete: Wander Pires

Poema à vida e ao seio jorrando amor
A seiva materna
Meu Porto da Pedra alimentou
Hera gera o caminho das estrelas
Mãe Loba amamentou o Grande Império
Mistério no deserto a solidão
O mercador viu a transformação
Do leite em primeira iguaria
A fé se envolveu e foi saborear
Na história, a humanidade vive a cultuar
A dádiva que fez o animal sagrado
Fermentou fartura e saber
Fonte rica de prazer

No calor dessa receita, deixa provar
A combinação perfeita ao paladar
A essência é derivada da mistura de sabores
É no mel que se adoça a mágia dessas cores

Surgiu o alimento vencendo batalhas
Esse doce sabor pelo mundo
Com o tempo rompendo muralhas
Brilhou a luz da civilização
Pelos mares navegou
Embalando a evolução
Leveza, o equilíbrio se traduz em beleza
Do dia a dia me refaz
Iogurte é leite, tem saúde e muito mais

Vem no ritmo do Tigre de São Gonçalo
Alimenta seu povo apaixonado
Cada porção traz um cuidado especial

Para o deleite e a emoção no carnaval

São Clemente



Enredo: "Uma Aventura Musical na Sapucaí"


Carnavalesco: Fábio Ricardo


Este enredo é um daqueles que assim que anunciado você não dá nada, porém, após ler, reler e ler mais algumas vezes a sinopse, você acaba indo com a cara dele. Após ver a linha de desenvolvimento adotada pelo carnavalesco, você passa a simpatizar. E aí quando lançam os protótipos das fantasias não tem jeito, você se rende por inteiro. Foi o que aconteceu comigo e com o enredo da Escola de Botafogo para o Carnaval 2012. Sempre fui fã da linha critica/contestadora da São Clemente, por isso nunca achei que enredos mais sérios poderiam fazer sucesso na Amarelo e Preto. Mas como no Carnaval temos gratas e agradáveis surpresas, o carnavalesco Fábio Ricardo acertou a mão em cheio e sem perder o bom humor característico da Escola está dando a ela o requinte e a beleza que um desfile de Grupo Especial pede. Passou em pouco mais de três meses de virtual rebaixada e postulante a zebra. A minha torcida declarada é pela sua permanência na Elite.


A irreverência, principal marca da Escola em seu auge na década de 80 está escancarada para quem quiser ouvir em seu ótimo samba enredo. O refrão "Tem bububú no bobobó..." mostra que o espírito clementiano voltou com tudo para 2012. Mesmo não sendo uma obra-prima da história do Carnaval, o hino da São Clemente é correto e bastante descritivo, daqueles que você consegue identificar todas as passagens do enredo em seus versos. Tanto em letra quanto em melodia a obra prima pela simplicidade, o que dá ao samba uma característica toda especial. Lembremos sempre que simplicidade não quer dizer pobreza, muito pelo contrário. Em alguns momentos o samba ganha em lirismo e a sua melodia passa a ter variações muito gostosas, como podemos perceber no segundo refrão, quando as notas menores prevalecem. Outro ponto importante e que merece todo o destaque na faixa da Escola de Botafogo no CD é a participação mais do que perfeita do intérprete Igor Sorriso, uma jovem revelação que em pouqíssimo tempo passou de promessa para feliz realidade. Mostrou-se no desfile de 2011 um dos melhores do Grupo Especial. Acredito que com este samba, a São Clemente se reencontre com os seus melhores dias e nos brinde com um desfile inesquecível.


Letra do Samba


Autores: Ricardo Góes, Grey, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, Vania Soares e Flavinho Segal

Intérprete: Igor Sorriso


Prepare o seu coração

É pura emoçao

A sirene acabou de tocar (u-lá-lá)

A orquestra começou

E entoou o meu cantar

Um violino anuncia

Vem viajar na mágia

Do meu cabaré. com samba no pé

Vem exibir, pode aplaudir

Será que é sonho meu?

"Sucesso aqui vou eu"


Põe a máscara pra mim

Vem comigo, a hora é essa

Não sei viver sem você

És o artista, faz a nossa festa


De tudo aconteceu

Puxa! Aqui Paris é avenida

Hoje o malandro sou eu

Vi a tristeza feliz da vida

Dei um susto, o fantasma sumiu (buuu)

Sou irreverente

Se o samba empolgou, virou carnaval

Nossa aventura musical

Noviça dançou, ao som da canção

E conquistou meu coração...


Tem bububú no bobobó

Sem sassarico é o "ó"

Bumbum de fora, pernas pro ar

Bravo!!! A São Clemente vai passar

Acadêmicos do Grande Rio



Enredo: "Eu Acredito em Você! E Você?"


Carnavalesco: Cahê Rodrigues


A Acadêmicos do Grande Rio é mais uma agremiação que sofreu com o incêndio na Cidade do Samba em fevereiro de 2011. Reestruturada e disposta a "tirar o atraso", a tricolor de Duque de Caxias aposta na Superação como o tema central de seu enredo. Ao meu ver, a Escola que hoje, mesmo sem ter conquistado um único campeonato é uma das grandes potências do samba caiorca está tentando dar uma de coitadinha com a essa temática, em razão do ocorrido que destruiu aquele que era por muitos o seu maior Carnaval nesses seus quase 20 anos de Grupo Especial. Como eu já havia dito anteriormente em uma postagem acerca dos enredos das agremiações, acho que esse perfil não combina com toda a pompa da Grande Rio.


Não encorpo o coro da grande maioria que vê este samba como um dos piores do ano. Também não vou dizer que é uma maravilha, mas é melhor do que muita coisa que a Grande Rio já levou para a Sapucaí nos últimos anos. A obra casa perfeitamente com o estilo de puxar samba do grande intérprete Wantuir, o que por sí só já acaba qualificando a obra, uma vez que o cantor é um dos melhores da atualidade. Os seus refrões acabam destoando um pouco, já que o de cabeça é muito bom e o da "meiúca" do samba um tanto quanto de mau gosto. Aliás, em alguns momentos a obra parece inclusive se transformar em dois sambas diferentes, pois os versos curtos da primeira parte destoam totalmente de versos longos que surgem em um certo ponto de seus trechos finais. Na primeira metade da obra, vemos a clara mensão ao incêndio que a Escola sofreu este ano (mais uma prova de que está tentando se valer disso como fonte de emoção e até mesmo compaixão). A segunda metade é muito mais qualitativa e tem o seu auge na homenagem ao levantador de toadas do Boi Caprichoso, David Assayag, conhecido como "a voz da floresta" e que enfrenta as limitações (David é cego desde os 11 anos de idade) e encanta a todo o Brasil com seu talento e garra. No geral, é um samba apenas razoavel, mas para o tipo do enredo está mais do que de bom tamanho. Na época das eliminatórias esperava por coisa bem pior.


Letra do Samba


Autores: Edispuma, Licinho Jr. Marcelinho Santos, Foca e Melo

Intérprete: Wantuir


A luz que vem do céu

Brilhou no meu olhar

Trazendo a esperança

Que os anjos vem anunciar

Lutar sem desistir

Das cinzas renascer

Eu encontrei na fé

A força pra vencer

A felicidade mandou avisar

É preciso superar


Derrubar o "Gigante", eu vou

É lição de coragem e amor

Eu sou "guerreiro do bem", vou caminhar

A minha história vai te emocionar


A arte de viver...

É aprender no dia a dia

Usando a imaginação

Ao som da melodia

Posso enxergar...

Sei que meu coração vai me guiar

Eu sigo em frente sem desanimar

Em Parintins um grande "festival"

Acreditar que pra sonhar não há limitações

A "roda gira" e traz a solução

Me dê a sua mão por liberdade

Sou brasileiro e mandei a tristeza embora

Eu "tô" sentindo que chegou a nossa hora


Quem me viu chorar... vai me ver sorrir

Eu acredito em você... pro desafio

E abro o meu coração, cantando a minha emoção

Superação é o carnaval da Grande Rio

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Portela

Enredo: "Bahia: E o Povo na rua cantando... É Feito uma Reza, um Ritual"

Carnavalesco: Paulo Menezes

Querendo voltar a seus bons tempos, a Azul e Branco de Madureira apostou todas as suas fichas na Bahia, pano de fundo de grandes carnavais e também na mágia de uma de suas mais ilustres torcedoras: Clara Nunes. Desde o anuncio do tema, a Portela gerou (e vem gerando) grande expectativa por parte do público e de sua apaixonada torcida, que vê com bons olhos a escolha. Nem mesmo o clima conturbado após o Carnaval de 2011 e toda a crise envolvendo o presidente Nilo Figueiredo e grande parte dos portelenses, parece no entanto atrapalhar a Escola que mesmo que do seu jeito, vem se preparando para um grande carnaval. Eu mesmo não vejo a hora de ver a águia sirgir na avenida!!!

Quanto ao samba, é chover no molhado dizer que se trata de uma verdadeira obra-prima. Um samba com "S" maiúsculo, honrando toda a tradição da multi-campeã Portela. Se não chega a ter a cara das obras dos anos 60 e 70, qua consagraram a agremiação em seus campeonatos, o samba enredo de 2012 tem toda uma áurea que envolve o ouvinte e faz os corações portelenses apertarem no peito. Do refrão de cabeça até o seu último verso a obra é perfeita, com momentos de sublime inspiração dos compositores. A melodia então... meu Deus! Que maravilha! Realmente, os portelenses de hoje, de ontem, de qualquer época tem que estar extremamente felizes, afinal, têm em mãos o melhor samba enredo dos últimos tempos. O Rio de Janeiro, o samba e principalmente o Carnaval, agradecem!!!

Letra do Samba

Autores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento, Naldo e André do Posto 7
Intérprete: Gilsinho

Meu rei
Senhor do Bonfim alumia
Os caminhos da Portela
Que eu guardo no meu patuá
Eu vim na proteção dos meus guias
Com Clara Guerreira à Bahia
Cheguei, eu cheguei pra festejar
Deixa lavar, nos altares e terreiros
Tem jarro com água de cheiro
Vou jogar flores no mar

No mar
Procissão dos Navegantes
Eu também sou almirante
De Nossa Senhora Iemanjá

Vou no gongá
Bater tambor
Rezo no altar
Levo o andor
Vem chegando os batuqueiros
Desce a ladeira, meu amor
Qua a patuscada começou
Eu vim pra rua
Onde o samba de roda chegou

Iaiá
De saia rodade e cetim
Bota o tempero na festa
Oi, tem abará e quindim

Portela, cheia de encantos
Acolhe a Bahia em seu canto
Com festa, rezas, rituais
Vestido de azul e branco
Eu venho estender o nosso manto
Aos meus santos do samba que são orixás

Madureira sobe o Pelô... tem capoeira
Na batida do tambor... samba, ioiô
Rola o toque do Olodum... lá na Ribeira
A Bahia me chamou